Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

É sempre  muito complicado o problema das minorias.

E, felizmente, o  caso dos chamados "homossexuais" não passa disso mesmo, de uma minoria.

Caso contrário teríamos que pensar muito seriamente na evolução da nossa espécie.

Tenho assistido ao muito que se tem falado e escrito sobre este tema que nunca terá  consenso.

A sexualidade é um assunto que tem mudado de formato e de mentalidade ao longo dos tempos.

A Igreja Católica, com a sua orientação demasiado enraizada em tabus,  incutiu na sociedade a ideia de que o sexo é uma coisa estranha, muito complicada, cheia de mistério e de pecado.

A Igreja sempre defendeu que praticar a sexualidade teria sempre que ser um acto entre macho e  fêmea e essencialmente um acto de amor virado para a procriação, dentro de um sistema social, o casamento.

Basta  dizer que só há muito pouco tempo  se viu abolida a jaculatória em que se dizia: "Ó Maria concebida sem pecado".

Pergunto, conceber, será alguma vez pecado?

A Igreja Católica também não se dá conta que, colocando a origem do ser humano em Adão e Eva, começa logo por ter um sistema defeituoso daquilo que apregoa, uma vez que, Adão e Eva, segundo as Escrituras do Velho Testamento, tiveram 2 filhos varões, Caim e Abel, e por isso, certamente que para a espécie continuar, a coisa começaria sem regra logo de início.

Bom, mas a Ciência tem outras catequeses...

Mas voltemos ao assunto da homosexualidade.

Nós sabemos que há muita gente que não compreende, e outros dizem que se enchem de compreensão para os casos que conhecem.

Eu, por mim, penso que a homossexualidade não é um problema. As relações sexuais são uma das formas de estabilidade  psíquica, afectiva e de realização de qualquer ser, nem que seja uma formiguinha ou uma pulga.

Não estou a ver que a natureza ande sempre a questionar-se sobre as suas realizações e formas de ser naturais. Aceitam-se como são.  Há animais e plantas que até são  2 em 1 e tornam o assunto mais simplificado.

E quando digo que não é um problema é pelo facto de que, quando  se  junta um casal (sexos diferentes), por casamento ou união de facto, ninguém lhes está a indicar quais  serão as suas formas de realização sexual.  Poderá haver casais que nem  pratiquem o acto sexual normal e só pratiquem, por exemplo o acto sexual anal. Mas isso, é uma questão íntima entre eles. A sexualidade  começa por ser um acto pessoal, pela masturbação, que depois se  pode realizar a dois ou mais, mas que só interessa aos próprios.

Agora, o problema da vivência sob o mesmo tecto, é outro assunto totalmente diferente.  E não é um problema de  homossexuais, é um problema de muita gente que, por variadíssimas razões. muitas vezes todas menos as sexuais, têm que viver sob o mesmo tecto. 

Aquilo que se passa da porta para dentro e desde que não  interfira com as leis  estabelecidas, de menores, pedofilia, incesto, ou outras, não é da competência de ninguém. É do foro íntimo.

Por exemplo, um viúvo que decide  viver com outro ou outra, que pode ou não ser irmão, num acto de  sobrevivência, de interajuda, até económica, deve ser objecto de tratamento cívico, tal como poderão ser dois homens ou mulheres que se dizem homosexuais ( o assunto é lá com eles).

E isso, sim, tem que ser legislado. 

Uma criança que fica sem pais e que tem que habitar com  outra família, uma pessoa que fica dependente, por acidente, eu sei lá, tantas formas de união sob o mesmo tecto.

Mas não metam o sexo no meio porque isso é um assunto do foro íntimo.

Quero lá saber se o ministro tal é  homosexual ou se é divorciado ou se é casado e anda a fotricar com a secretária! O problema é deles e se se sentem bem e não vão contra as leis vigentes, quero lá saber!

Só me interessam os compromissos  dos quais tenham que dar justificação perante a sociedade.

Agora, o problema que anda por baixo disto tudo é outro. 

É que, algumas pessoas, sob a capa de quererem chamar à sua união, casamento, querem usufruir das regras e leis próprias de quem assume esse dito contrato.

Casar tem uma  série de regras estatutárias, uma das quais é a permissão de, pelo acto normal sexual ou de apoio médico, poderem ter filhos, que assumem educar e dar o seu nome de pai e mãe.

Em determinados casos e confirmando-se a infertilização também se lhes permite  aperfilhar uma criança sem apoio.

E é aqui que eu não concordo com actos de irresponsabilidade, que são mais visíveis em mulheres homossexuais, que, face às actuais possibilidades de fertilização, podem vir a conceber sem que a criança venha  a ter um pai, levando-nos para os tempos dos inícios do Estado  Novo, em que  eram muito usuais as crianças filhas de pai incógnito.

Ora, isso já passou.

E as pessoas que usam esses estratagemas são irresponsáveis e é necessário legislar rigorosamente sobre esse assunto. Uma criança não pode  nascer sem ter um  pai responsável. Mesmo que a mãe queira egoisticamente ter o filho só para si. Não pode. Todo o ser humano deve ter o direito à sua paternidade.

E é precisamente por isso, que os ditos homossexuais querem que o seu estatuto de habitat sob o mesmo tecto seja tido como casamento.

E, neste caso, sou absolutamente contra. Não tem o mínimo sentido.



publicado por circular às 23:25

              Incapazes de explicar os fenómenos e as suas causas os humanos primitivos  encontraram no Universo dos Deuses e dos heróis míticos a resposta para as suas angústias e problemas . Incapazes de encontrar uma causalidade natural explicativa da vida, socorreram-se duma causalidade sobrenatural.

Não deixa de ser significativo que os gregos só tenham conseguido criar a democracia a partir do momento que descobriram que a ordem social não era ditada pelos deuses, mas construída pelos homens; quando vislumbraram a possibilidade de construir uma sociedade cujo destino não estivesse fora dela, mas nas mãos de todos os que dela participavam.

Só quando uma dada sociedade, como foi o caso da sociedade grega, começa a entender que é ela própria que constrói a essa ordem social, essa ordem desejada, é que ela tem condições para  superar o fatalismo e o determinismo rígido.

                O fatalismo pode ser definido como uma doutrina  segundo a qual tudo o que acontece é inevitável. Em tal contexto, deliberação e acção não farão então muito sentido, pois o futuro já está previamente decidido. Para o fatalista o futuro é como o passado: um facto consumado e inalterável. Podemos ilustrar esta mentalidade com um exemplo. Não adianta chamar o médico no caso de uma pessoa ficar doente, pois se ela o chamar e já estiver determinado que ela não irá recuperar a saúde, ela não se restabelecerá; e se ela não chamar e já estiver determinado que ela irá recobrar a saúde, ela recuperará seguramente..

                Ora, todos nós sabemos que é fácil refutar o fatalismo. Todos conhecemos casos de pessoas doentes que procuram o médico e sabemos que elas têm muito mais possibilidades de obterem melhoras do que quando não o fazem. Sabemos então, pela nossa experiência, que as nossas decisões, deliberações ou acções podem mudar efectivamente o futuro.

                O fatalismo é geralmente associado às teorias filosóficas deterministas segundo as quais  o futuro já se encontra previamente determinado pelo entrelaçado de cadeias causais geradas pelos estados de coisas actuais e pelas leis do universo. Mas tais conclusões são erradas e qualquer de nós tem relutância em aceitar ser apenas uma marionette ou um brinquedo nas mãos do destino ou dos deuses.

                Creio que esta mentalidade fatalista ou anti-fatalista tem deixado na história humana marcas muito significativas. Porque o destino está traçado e não adiante lutar contra ele tivemos momentos históricos  de grande estagnação. Por outro lado, foi a crença de que  os homens e mulheres  são fazedores do seu destino  que nos brindou certamente com algumas das mais bonitas páginas da história que nos mostram toda a nossa capacidade criativa, lutadora, verdadeiramente emancipadora.

                No nosso tempo, em muitas situações , o fatalismo e a falta de esperança, são  estados de espírito verdadeiramente irónicos e cínicos. É por causa desse fatalismo e dessa falta de esperança que algumas vezes podemos ser levados a aceitar viver ou conviver com situações que condenamos.

                Creio que o único antídoto possível é o apelo a um renovado  compromisso, e a novos  comportamentos tradutores dos mais fundos valores éticos das pessoas. A única saída é então mostrar e conseguir que as pessoas vejam que existem situações com as quais não podemos conviver, ou em relação às quais não devemos sequer ser tolerantes.         

                Claro que todos sabemos que é mais fácil ficar na tranquilidade do nosso cantinho. Mas está na hora de  rompermos com o fatalismo trivial do não há nada a fazer porque tem de ser assim  porque sempre foi assim. A História ensina-nos precisamente  que só é digno de figurar nela quem foi capaz de acreditar que a condição humana é reinvenção permanente e que homens e mulheres nascem criadores.  E não foi esse afinal o exemplo dos grandes Mestres?

 

por: Carlos Latino



publicado por circular às 11:00
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