Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

O mundo actual gira à volta da crise. Uma crise que se foi instalando e alastrando. A economia quis governar o planeta e falhou, falhou redondamente. Os homens de negócios não são políticos e quando tiveram a ilusão que o eram e que tudo circularia á sua volta tombaram irremediavelmente, atirando as feras aos políticos. A grande falha do século XXI, termos muitos e maus políticos, alguns que se atreveram-se a ser homens de negócios e o resultado foi mais uma catástrofe. Derrocada sobre derrocada, a crise é a realidade em que vivemos.

A política é uma ciência não é um divertimento.

A economia é uma ciência não é uma negociata.

Uns divertem-se na política, outros regateiam-se na praça.

A batotice deu no que deu.

E agora?

Agora a preocupação profunda é perceber que isto não é uma crise séria. Nada pode ser sério na ausência de seriedade. O José, o Paulo, o Francisco, o Jerónimo ou outros, quer sejam ministros, deputados ou presidentes não me interessam enquanto pessoas, interessam-me enquanto políticos, interessam-me enquanto responsáveis de um País que se comprometeram a honrar, defender, governar, julgar. Interessam-me a nu, sem maquilhagem, sem pose, sem carnaval, sem desfile de fantoches.

Vemo-nos vestidos de cores desbotadas, feitos palhaços pobres onde os risos se transformam em amargos de boca e as lágrimas esborratam a pintura.

A banda da minha terra todos os Domingos à saída da missa tocava sempre o mesmo refrão mas de muito boa qualidade.

É disso que o povo gosta, simples, honesto, limpinho e de qualidade. A minha avó chamava-lhe “estar-lhe na natureza”, quando falava de uma pessoa de carácter.

Esta crise vai muito para além da produção e do consumo fixando-se em valores que foram completamente desprezados, substituídos por outras coisas que ninguém sabe classificar mas que abarcam a falta de escrúpulos, o salve-se quem puder, mentir com quantos dentes se tem, em nome não sei de que honra mas sei que séria não é.

Se calhar isto tudo é mesmo crise…e séria.

 

 

 

Por: Joana Afonso

 

 



publicado por outraidade às 18:32
A crise tem de parar de ser um pretexto para estarem em crise as ideias e os ideais. Oxalá o povo o compreenda nas próximas eleições, sem se deixar deslumbrar por promessas irreais e seduções baratas.
Ventania a 25 de Fevereiro de 2009 às 21:42

Olá Ventania. Sem dúvida que a crise anda a ser um pretexto para muita coisa. Deveríamos todos ter uma consciência activa disto.
outraidade a 26 de Fevereiro de 2009 às 18:16

"A economia é uma ciência não é uma negociata."
É por isso que esta crise foi provocada por aqueles que não sabem o que é contar os cêntimos de um vencimento.
Vejam com atenção este texto:
"http://molhobico.blogs.sapo.pt/66735.html"
Será que uma pessoa pode ter tantos tachos, com vencimentos e alcabalas imorais? Bem canta o Zé Afonso nos "Vampiros", canção que nunca esteve tão actual como agora.

A economia é uma ciência mas para ser lidada por profissionais honestos, não por gestores sem escrúpulos, que se abotoam indecentemente, enquanto o povo, vive a crise na sua verdadeira essência.
Ou será que estes pensamentos só são para gente de Outra idade?
Molhobico a 26 de Fevereiro de 2009 às 02:27

Não meu caro amigo. Ou isto começa a ser pensado por gente de todas as idades ou vamos continuar a andar às apalpadelas. Pior, vamos continuar a ser apalpados.
outraidade a 26 de Fevereiro de 2009 às 18:19

A cada momento passa por nós uma onda de imagens que nos faz circular pelo mundo. E nós somos do círculo, pois circular é viver.
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